"Texto extraído da Internet"
Autor: Maria do Carmo Cordeiro
http://www.divinopolis.uemg.br/revista/revista-eletronica3/artigo10-3.htm
(..) Deve ser esclarecido para os educandos que a cultura rural nasce também do sofrimento e das precárias condições de vida do homem do campo. O remendo nas roupas era uma forma de economizar a compra de outros, a comida típica era tudo o que eles colhiam, como o milho, o arroz, o feijão, o amendoim... seria interessante ressaltar com as crianças que no meio rural vive-se em comunidade onde um ajuda o outro, e que isso faz parte de sua cultura. As danças, a comida, os trajes típicos fazem parte da vida dele. O que é bem diferente do homem da cidade que vive em sociedade, onde cada um é por si, há presença de valores no meio rural e ausência desses mesmos valores no meio urbano. As crianças rurais são obrigadas a incorporarem a cultura urbana em seu meio, enquanto as crianças urbanas desconhecem o modo de vida do meio rural, a não ser de uma forma vulgarizada em festas, danças, piadinhas. “A escola rural é assim, é uma escola que estando lá, está fora dali”. (KNIJNIK, 1996:142) Há uma grande diferença no modo de vida das duas populações mas, mesmo as pessoas que estão atentas a essa diferença, pouco questionam sobre os conteúdos aplicados em sala de aula, como se o conhecimento dos alunos não tivesse nenhum valor social. “Tomemos como exemplo uma das disciplinas escolares que num olhar mais apressado parece ser a mais imune às diferenças culturais. Falo da matemática (...) somos convidados a pensar do jeito diferente de ensinar seus conteúdos, em métodos que levam os alunos e as alunas a aprender mais matemática. A pergunta a ser feita é: Que matemática? Seremos tão ingênuos para pensar que o que chamamos de matemática é um conjunto de saberes que foi desinteressadamente definido como a matemática? E que está definitivamente constituído, acabado, portanto é um conhecimento morto ao qual nos cabe somente repassar da melhor maneira possível? Seria portanto, a Educação Matemática somente uma questão de escolha do melhor método?”. (KNIJNIK, 1996:143) A matemática é apenas uma parte dos parâmetros seguidos pela escola, ela é “eurocêntrica, branca, masculina e urbana”, mas, há outras disciplinas que ignoram a cultura rural, abafando vozes, sufocando sonhos. A cultura é um sistema, um todo, um conjunto de elementos ligados estreitamente uns aos outros, que pode sofrer modificações no contato com outros povos. “Cada geração passa por um processo de aprendizagem no qual assimila a cultura de seu tempo e se torna apta a enriquecer o patrimônio cultural das gerações futuras. É nesta capacidade que temos de perpetuar a cultura que reside a possibilidade de progresso. Todo progresso é resultado de uma síntese de elementos novos com elementos já adquiridos. Uma cultura não pode sofrer uma quebra de continuidade entre uma e outra geração. Por mais viva e inventiva que seja uma cultura, as gerações não rompem inteiramente com seu passado”. (OLIVEIRA, 1995:93-94) A educação escolar das crianças do meio rural fica fragmentada, quando lhe são implantados os valores e costumes urbanos, porque a realidade deles é outra. Eles podem se sair muito bem na escola, mas, na vida eles vão se comportar de outra maneira, muito do que eles aprendem na escola não tem um valor utilitário para a vida deles, está fora do seu contexto. Se a educação rural deixar de ficar “silenciada no currículo” e os educadores se empenharem no desenvolvimento e exploração da cultura rural, o aprendizado das crianças, a convivência social com certeza terão muito mais êxito e as crianças terão mais prazer nas salas de aula, pois, estarão falando sua própria língua e aperfeiçoando seus conhecimentos, mantendo viva a sua história, seu modo de vida, sem abrir mão da qualidade do ensino. O que não se deve fazer é repetir a história da colonização do Brasil, onde ocorreram intensos contatos do homem branco com o índio, com os africanos trazidos como escravos e a mistura dos costumes resultou numa aculturação, tendo como conseqüência a perda de várias características de ambas as culturas, não restando nenhuma das raças com sua cultura intacta. A educação cultural de um povo implica várias dimensões, não comportando um padrão único, restrito. “A cultura é uma hereditariedade social que o homem recebe e transmite. Tudo que é puramente privado não faz parte da cultura”. (Mondim, 1980:173) Cada povo tem sua própria cultura, não existe sociedade, comunidade desprovida de cultura. “A combinação dos traços culturais em torno de uma atividade básica forma um complexo cultural”. (CORDEIRO, 2002:06)
Parte do Texto "CULTURA, SOCIEDADE, EDUCAÇÃO E MEIO RURAL" Sobre a autora: Aluna do 2º período do CURSO NORMAL SUPERIOR, Instituto Superior de Educação de Cláudio – ISEC/FUNEDI/UEMG